Arte, ritual e magia
- Andruz Vianna
- 7 de abr. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de mar. de 2023
Vemos muitos jovens em todos os países andando pelas ruas com três bolinhas, uma cambalhota, uma parede invisível, querendo serem vistos. O fenômeno ultrapassa a simples representação e seu espetáculo. Esse “clown psicológico", que pode desenvolver uma pedagogia dramática, necessária à liberdade do artista, não é forçosamente um palhaço de espetáculo e permanece no mais das vezes sendo um modo de expressão privado a festas e aniversários. O pequeno nariz vermelho não basta para fazer um palhaço profissional e a representação não deve ser uma exibição consoladora.
Desde os anos sessenta identificou-se a manifestação de um interesse crescente pelo palhaço. Mas o palhaço não está mais ligado somente ao circo: trocou o picadeiro pela cena, pela rua, pelos hospitais. Muitos jovens desejam ser palhaços; é uma profissão de fé, uma tomada de posição perante a sociedade: ser esse personagem à parte e reconhecido por todos, pelo qual sentimos um vivo interesse, naquilo que ele não sabe fazer, lá onde ele é fraco. Mostrar suas fraquezas (as pernas finas, o peito largo, os braços pequenos) e enfatizá-las usando roupas diferentes daquelas que usualmente as ocultam, é aceitar-se e mostrar-se tal como se é.
Todo processo de autoconhecimento, que leva o ser a uma compreensão maior diante dos seus sentimentos, emoções e pensamentos é um ritual. Muitas vezes relacionamos a palavra ritual a um contexto religioso, ocultista ou esotérico, mas a verdade é que realizamos muitos rituais no nosso dia a dia, só não estamos realizando rituais quando nossa vida cotidiana passa a ser mecânica e nos afasta da nossa humanidade passando a ser a causa das diversas doenças e crises da vida moderna tais como as famosas depressões, ansiedades que acabam debilitando a parte física de um corpo que aos poucos vai perdendo suas características de templo sagrado, lugar onde se manifesta a centelha divina que chamamos Ânima, a força vital realizadora e passa a ser tratado como uma máquina distante da possibilidade de sonhar, incapaz de sentir o desejo pela vida e passa apenas a subsistir na tentativa de sobreviver.
Para que possamos reaver essa vontade, essa energia que temos quando criança, precisamos ir ao resgate da nossa criança interior que é aquela que fazia de qualquer atividade um ritual mágico que chamamos de brincar, inventando um mundo a partir do lúdico reinventando a vida a cada instante de maneira original e totalmente espontânea. Por meio da brincadeira e do humor da palhaçaria nos reencontramos com esse corpo sagrado e assim o riso também se torna sagrado tal qual a visão cosmológica de diversas tribos indígenas ao redor do mundo e que veremos mais adiante neste curso.






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